"Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
SONETO DE FIDELIDADE DE VINICIUS DE MORAES
Já ouvimos muita gente dizer que o casamento é um negócio, um contrato com divisão de bens e obrigações mutuamente compartilhada, que o casamento é o caminho da forca, do fim das noitadas, do sexo com hora agendada, sem graça e esquecido no calendário, que casamento é sociedade pactuada, é paixão desapaixonada, que é tempo de calmaria, que casamento é compromisso com hora marcada, que é o fim da viagem para um barco que ancora no porto, que é rotina amanteigada, que casamento é o fim do namoro e o início de amor maduro sem riscos ou escaladas, que no começo é um mar de rosas, mas depois...
Na verdade, podemos dizer, que casamento é tudo isso e ao mesmo tempo, não é nada disso... Casamento é como fogo antigo que os romanos tinham sempre aceso em casa em honra aos deuses e a boa sorte... Quando casamos, não ganhei uma esposa e ela um marido, quando casamos não virei o esposo da esposa, os cônjuges sem brilho do contrato matrimonial, quando casei virei CONSORTE da minha CONSORTE...
E aqui, vale a pena convocar o mestre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira para decifrar a dimensão do vocábulo:
"CONSORTE: 1 - Que ou quem tem vínculo matrimonial com o rei ou com a rainha; 2 - Companheiro na sorte; 3 - Pessoa casada com outra, em relação a esta; 4 - Aquele que tem quinhão na posse comum de um todo" (in.: Dicionário Aurélio)
Entendem o que digo? Por isso, dizemos sempre, depois que casamos viramos consortes na vida, consorte no destino, consorte do amor... O casamento é nossa melhor invenção contra a solidão, a tristeza e a melhor arma para as horas difíceis... Então, não tenham medo de reinventar seu relacionamento, digam: "somos consortes"... Cuidem do "fogo romano" do seu casamento... Mantê-lo aceso é trabalho para os dois...
Não tenham vergonha de transformar seu casamento numa versão renovada do amor sem medida dos contos de fada... Vocês vão parecer dois bobos? Vão! Vão ficar melosos como calda de chocolate? Vão! Vão lembrar uma edição brega de Romeu e Julieta? Vão! Mas, quando a gente encontra nosso consorte é para isso mesmo!
Por isso, com sua/seu consorte sejam amantes, amigos/as, comparsas, companheiros/as, sócios/as, parceiros/as. E ponham fogo nesse coração que amar é coisa para fazer enquanto a chama está acesa queimando tudo...
Wellington Wanderley e Nice Wanderley, Casal Siamês.
